Cerveja é BREJAS -Tudo sobre Cerveja e Cervejaria

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Mini Curso

Neste final de semana foi realizado o primeiro mini curso sobre técnicas de homebrewing de Goiânia e eu tive a  felicidade de ministrá-lo.
Tudo começou quando um aluno de Engenharia Química, motivado por um trabalho sobre produção de cerveja artesanal, encontrou neste blog um doido varrido em Goiânia que se aventurava em produzir cerveja em casa. Daí houve algumas trocas de e-mail e já a proposta para a apresentação de um mini curso sobre o assunto e logo houve o interesse de outros alunos e colegas. Ao total foram 19 participantes e o roteiro abaixo dos tópicos abordados.



—Ingredientes
—Estilos de Cerveja
—Características Sensoriais da Cerveja
—Produção
—Equipamentos
—Limpeza / Sanitização
—Processos
—Referências
Video do Botto (youtube)
Degustação



Tivemos o fechamento com degustação de 4 estilos de cervejas: trigo, porter, bohemian pilsner e india pale ale.

Fica aí uma semente para que novos cervejeiros caseiros goianios se desenvolvam e que possamos nos reunir futuramente para trocas de experiências sobre cervejas especiais, produção, invenções e também divulgar nossa cultura para fora do estado por meio de concursos e afins.
Só a cerveja mesmo para reunir 20 pessoas num domingo 8h.


Teoria:
E prática:

A turma reunida:

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

X Leva – Imperial IPA Escrupulada


Olá, estou meio atrasado neste post da 10ª leva, feita no início de julho, foi uma Imperial IPA com muito lúpulo cascade. Nesta receita eu experimentei duas novas técnicas (para mim) de lupulagem que são o First Wort Hopping – FWH em que adicionamos o lúpulo durante a 2ª lavagem do bagaço, diretamente no balde de coleta, que seguirá para a fervura; e o Dry Hopping que é a adição de lúpulo direto no fermentador, 3 dias antes de engarrafarmos.
A primeira técnica é para que o amargor do lúpulo fique menos agressivo e mais equilibrado, e nela adicionamos 30% do total de lúpulos de amargor que foram na fervura.
Já o Dry Hopping tem a finalidade de potencializar os aromas provenientes nos óleos voláteis do lúpulo, garantindo uma cerveja então muito mais aromática.
Desta vez, dividimos o brewday em dois, no primeiro moemos o malte e fizemos a brassagem + clarificação, guardamos o precioso mosto na geladeira e continuamos o segundo dia com a fervura, resfriamento + fermentação.
Ficou melhor assim, porque fica mais leve ao final do dia.

Vamos para a receita:

Estilo BJCP: Imperial IPA
--------------RECIPE SPECIFICATIONS------------------------
SRM: 14,1 SRM          SRM RANGE: 8,0-15,0 SRM
IBU: 64,7 IBUs Tinseth IBU RANGE: 60,0-120,0 IBUs
OG: 1,077 SG           OG RANGE: 1,070-1,090 SG
FG: 1,016 SG           FG RANGE: 1,010-1,020 SG
BU:GU: 0,840           Calories: 733,3 kcal/l
EE%: 70,00 %   Leva: 30,00 L      Fervura: 39,35 L  
Tempo de Fervura: 60 Mins

--------------RECEITA------------------------
Qtd                   Name                                     Type      
1,5 colheres chá      PH 5.2 Stabilizer (Mash 60,0 mins)       Water
10,11 kg              Pale Malt (Malte Viena - Castle Malting) Grain      
0,37 kg               Special B Malt (180,0 SRM)               Grain
0,34 kg               Biscuit Malt (23,0 SRM)                  Grain
90,68 g               Cascade [5,50 %] - Boil 60,0 min         Hop
60,45 g               Cascade [5,50 %] - Boil 15,0 min         Hop
30,23 g               Cascade [5,50 %] - Boil 5,0 min          Hop
1,59 Items            Whirlfloc Tablet (Boil 15,0 mins)        Fining


Total Grãos: 10,82 kg  Total Lúpulo: 266,69 g


---FERMENTAÇÃO-----------------------------
Primária: 03-Jul-11 - 6,00 Dias a 18,0 C
Secundária: 09-Jul-11 - 14,00 Dias at 8,0 C
Engarrafamento: 23-Jul-11 with 2,4 Volumes CO2




                    A sacarificação foi prevista para 60 min, mas como não passou pelo teste do iodo, ficou por 90 min e como ainda não passou pelo teste decidiomos seguir o processo. Porem apos filtrado refizemos o teste e passou 100%.

Quantidade de água utilizada:
1a lavagem = 23L
2a lavagem = 20L


Fizemos uma pequena pausa para molhar o bico com nada menos do que duas trapistas de peso.



Voltando para a produção, agora mais animado...


Início da fervura:

Um pouco de whirlfloc:

Fermento:

Olha só a cor desta cerveja, depois ela ficou um pouco mais escura no copo:


Duas semanas depois, o resultado:



                    O rendimento foi de 25L de mosto no fermentador. Para o Dry Hopping utilizamos 2oz ou 56g de lúpulo também Cascade.

                    As medições de densidade foram as seguintes:
OG antes da fervura = 1.068 (16,6 Brix)
OG depois da fervura = 1.077

                    Se quisermos transformar esta Imperial IPA em uma IPA, podemos diluir a cerveja no copo acrescentando 28,5% de volume de água para corrigir o álcool de 8,9ABV para 7,0ABV (para um copo de 300ml coloque 233ml da IIPA + 66ml de água)

                    Perfeito paladar já na segunda semana pós priming, realmente um estilo incrível. Talvez daria para se colocar menos malte special B para deixar a breja um pouco mais clara. Pode-se testar ainda um outro malte para substituí-lo, um que tenha menos cor.
                    O resultado do First Wort Hopping (FWH) é muito bom, o amargor fica de fato, muito mais equilibrado e menos agressivo ao paladar.

Olha só um vídeo da extração do fermento sedimentado após a fase primária da fermentação:




Segue uma foto também da nossa Stout no copo da Flying Dog:




segunda-feira, 23 de maio de 2011

American Brown Ale

Olá, estou de volta para mais um post, apesar da demora desde a última atualização, não ficamos parados. Neste período, fizemos uma Bohemian Pilsner, uma Extra Foreign Stout e uma Brown Ale. As duas primeiras tivemos um pequeno problema no engarrafamento e algumas tampinhas estão deixando passar o gás, para a Brown mudamos o procedimento de prensagem e ainda estamos aguardando o resultado.

Vamos para a receita, como sempre utilizando o Beer Tools Pro para nos auxiliar nas contas:


Data: 21-Apr-11

Ingredientes:
5 kg Belgian Pale
0.5 kg Pilsner Malt
0,27 kg Malte Cristal
0,375 kg Belgian Chocolate Malt
0,13 kg Crystal Malt 60°L
0,13 kg Belgian Biscuit
19 g Perle ou Magnum (8.3%) - added during boil, boiled 60 min
36 g Amarillo (8.5%) - added during boil, boiled 15 min
58 g Amarillo (8.5%) - added during boil, boiled 1 min
2 saches do fermento da Fermentis, Safale US-05

Notas
1a lavagem = 15L
2a lavagem = 25L

Original Gravity antes da fervura: não medi, pois esqueci.
Original Gravity depois da fervura: 1.045 (1.045 - 1.060)


Terminal Gravity: 1.010 (1.010 - 1.016)
Color: 23.48 (18.0 - 35.0)
Alcohol: 4.56% (4.3% - 6.2%)
Bitterness: 33.4 (20.0 - 40.0)

Portanto ficou dentro do estilo em todos os quesitos, mesmo que alguns ficaram bem na trave.
O estilo no BJCP é o 10C - American Bown Ale basicamente porque utilizamos o lúpulo Amarillo, típico americano e um dos melhores que já utilizei.

Como de costume a cerveja ficou fermentando por uma semana a 18°C e maturando por mais 2 semanas a 9°C, média pois o termostato permite uma oscilação de uma faixa de até 3°C.


Para engarrafar, aproveitamos garrafas de brejas que já tomamos como podemos ver uma incrível Belgian India Pale Ale da Flying Dog que comprei uma visita ao Frangó durante minhas férias.


Utilizamos 7gr de açúcar invertido para cada litro de cerveja a engarrafar.



Eis a produção de um dia e meio de trabalho com muita cerveja para animar.


Talvez não de para ver direito mas deu uma leitura de 1.011FG no densímetro abaixo.


Eis uma as relíquias que achei nas minhas férias, apesar de não ser o meu estilo favorito é uma cerveja a se respeitar.



Não achei nenhuma foto servindo a pilsner e a stout das levas anteriores, mas assim que elas forem "morrendo" eu aproveito a chance e coloco aqui também, junto com esta brown provavelmente.

Até a próxima, uma India Pale Ale com muito Amarillo, acho que vou testar um dry hopping desta vez.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Cão voador



Hoje em comemoração ao meu aniversário, passei no Sam's Club sem grandes pretensões e tive uma surpresa: vi grande variedade da famosa Flying Dog e Anderson Valley, então comprei um pouco da cada para experimentar, pois só conhecia as brejas pela internet.
Para acompanhar as renomadas e para comemorar a data especial fizemos o seguinte cardápio no almoço:

Prato principal: Salmão ao molho de maracujá
Acompanhamento: Risotto de alho poró com cogumelo parisiense e shitakes frescos
Sobremesa: Alfajores de doce de leite








A cervejaria Flying Dog é famosa por produzir cervejas "extremas" que exploram ao máximo as características que a nova escola americana valoriza, assim são carregadas com uma "porrada" de lúpulo cascade e são muito bem balaceadas com o malte.

A Pale Ale ficou muito parecida com a nossa segunda leva, por usar um lúpulo irmão do amarillo utilizado por nós, a double pale ale por ter 85 IBU de amargor e ser bem balanceada e sem comentários para a imperial porter por ser uma breja diferente em todos os sentidos, uma porter com muito lupulo, extrema e e ao mesmo tempo suave e bem balanceada que não fica na boca só o amargor, mas um final adocicado. Sinceramente uma experiência única que felizmente chegou a Goiânia para minha sorte, e no meu aniversário.

Sem dúvida foi a mais interessante experiência de harmonização de cerveja com gastronomia que já tive. Aconselho a todos estes rótulos citados, pois vale a pena.

Nossa agenda está da seguinte forma para as próximas levas:

Bohemian Pilsner
Foreign Extra Stout
Brown Ale

2011 começou com boas experiências e espero que continue assim.

Kölsch

A sexta leva nossa foi uma Kölsch ou German Pale Ale, segue a receita:

Size: 24.53 L
Efficiency: 75.7%
Attenuation: 75.0%
Calories: 169.56 kcal per 12.0 fl oz

Original Gravity: 1.051 (1.044 - 1.050)
Terminal Gravity: 1.013 (1.007 - 1.011)
Color: 4.73 (4.0 - 5.0)
Alcohol: 5.01% (4.4% - 5.2%)
Bitterness: 24.5 (20.0 - 30.0)

Ingredients:
5000 g American 2-row
313 g Munich TYPE I
300 g Pale Wheat Malt
240 g Carahell®
22.0 g Hallertau Tradition (6.0%) - added during boil, boiled 60 min
14.0 g Czech Saaz (5.0%) - added during boil, boiled 30 min
0,5 oz Czech Saaz (5.0%) - added during boil, boiled 15 min
2.0 ea Fermentis US-05 Safale US-05
1.0 tsp 5.2 pH Stabilizer - added during boil, boiled 0.0 min

Notes
OG antes da fervura = 1.038
OG depois da fervura = 1.051

Na receita original não tinha o trigo, nem o munich nem o carahell, mas como eu tinha em casa de receitas anteriores e eles são compatíveis com o estilo kolsch, eu os usei para que não ficassem muito velhos no meu estoque.






Também foi adicionado um pouco mais de lúpulo Saaz na  receita original, pois eu tinha disponível, como a proxima receita será uma bohemian pilsner. Assim a nossa kolsch pode sair um pouco do estilo, mas ficará com nosso gosto.

Neste dia tivemos a companhia do companheiro da AcervA goiana, Wagner,  para acompanhar o processo de fabricação:

a

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

5 leva - Tripel com mel (Trimel)

Olá, estou de volta para mais um post para relatar desta vez uma receita especial desenvolvida pelos colegas da AcervA Carioca, Daniel e Henrique. O passo a passo da receita está muito bem descrita na sua versão original no blog http://henrikboden.blogspot.com/ , e portanto não vou repetir. Irei apenas postar os meus resultados.

A receita é nada menos que um estilo Tripel que leva mel em sua composição ao invés de açúcar. É uma receita típica da Bélgica, mais especificamente dos monges trapistas que fazem tradicionalmente algumas das melhores cervejas do mundo, que infelizmente não temos acesso fácil por aqui.

RECEITA

Apenas adaptei inicialmente a receita original de 70L para 30L, como segue abaixo:


Estilo BJCP: 18-C Belgian Tripel
Autor: Bode
Data da Leva: 05-Dec-10

Size: 29.0 L

Original Gravity: 1.077 (1.075 - 1.085)
Terminal Gravity: 1.017 (1.008 - 1.014)
Color: 4.88 (4.5 - 7.0)
Alcohol: 7.88% (7.5% - 9.5%)
Bitterness: 25.2 (20.0 - 40.0)

Ingredients:
6000 g Pilsner Malt
600.0 g Wheat Flaked
500 g Vienna Malt
200.0 g Munich TYPE I
200.0 g Pale Wheat Malt
700 g Honey
1000 g White Table Sugar (Sucrose)
24.0 g Galena (13.0%) - added during boil, boiled 70 min
12.0 g Saaz (5.0%) - added during boil, boiled 5.0 min
1.2 tsp 5.2 pH Stabilizer - added during boil, boiled 60 min
1.2 tsp Whirlfloc Tablets (Irish moss) - added during boil, boiled 5 min
20.0 g Corriander seeds - added during boil, boiled 5 min
0.4 ea Fermentis S-33 SafBrew S-33
0.4 ea Fermentis T-58 SafBrew T-58

Diferenças da receita original:

  1. O meu fornecedor no dia não tinha o whirlfloc, que portanto foi sem mesmo, o que acredito que não vai fazer muita diferença no sabor, apenas a breja irá ficar mais turva (alguém me corrija se eu estiver errado);
  2. Quem leu com atenção a minha receita e comparou com a do Bode, viu que eu adicionei açúcar por razões que explicarei logo abaixo. 


Esta receita eu sabia que iria ser mais trabalhosa do que as anteriores porque além de ser uma leva de 30L, 50% maior, ela tem alguns detalhes como a preparação do mel que temos que "assá-lo" a 80°C por 2 horas e meia!!! E também vai trigo maltado e não maltado, o que pede na rampa de brassagem uma parada proteica.

Então decidimos dividir as tarefas. Moemos todos os grãos um dia antes e deixamos na geladeira dentro de um saco a 7°C. No brewday a patroa ficou responsável pelo mel enquanto eu e meu pai ficamos na brasagem.


Segue nossa rampa:

52°C - 20min - proteica
65°C - 70min - sacarificação
78°C - 3min - mash out











Para a água, utilizei 2,5L por Kg de grão, o que deu 18,5L de água e para a lavagem, utilizei 1,5*18,5 = 28L de água. Para a fervura tínhamos o mosto com a seguinte densidade:


OG antes da fervura = 14,2 Brix (1.051)
OG depois da fervura = 16,7 Brix (1.063)

Como vocês perceberam, o atingido de 1,063 pós fervura ficou abaixo do esperado do estilo que é entre 1.075 - 1.085.

Para a preparação do mel, que utilizamos 600gr de mel para 4,5L de água, ambos "esterilizados", que seria adicionado no fermentador 24h após a inoculação do fermento, momento em que deveria estar em sua máxima intensidade de fermentação. Porém, o must como é chamado o mosto de mel, ficou com uma densidade de 1.038, que portanto iria fazer é abaixar ainda mais a densidade de nossa breja.

Caso deixássemos assim, a nossa Tripel ficaria com um teor alcoólico de 5%, abaixo do estilo (7.5% - 9.5%). Então decidímos adicionar 1Kg de açúcar cristal para adicionar mais 1,013 pontos de gravidade no nosso mosto + 100gr de mel, elevando para os desejáveis 1,077 e 7,9% de álcool.

Este açúcar adicionamos do must de mel, fervendo 2L da solução por 10 min e voltamos para o recipiente dos restantes 3L de must. E como previsto inserimos ao fermentador 24h após a inoculação do fermento.















Agora vamos esperar 3 semanas para fermentar + maturar para depois engarrafarmos.
Depois postarei o quanto que esta breja atenuou.

É claro que com todo este trabalho que tivemos, não passamos no seco. Degustamos a nossa 4° leva que foi um KIT Pale Ale da ATurma.